Contra todas as adversidades, o Team Epic Brazil tem desempenho histórico na Cape Epic

Daniel Aliperti e Eduardo Soares conquistam “top 5” na categoria Máster na Cape Epic 2009,  ultramaratona de MTB na África do Sul.

A prova, disputada em 7 etapas mais um prólogo, teve seu percurso reduzido nesse ano em mais de 250km em relação a edição de 2008, mas nem por isso deixou de ser desafiadora e encantadora. O percurso teve bem mais MTB do que em 2008, segundo bikers que já participaram das outras edições. As distâncias menores fizeram o ritmo ser mais intenso em alguns momentos, tornando as provas mais rápidas, porém igualmente desgastantes, para quem estava competindo de verdade (muita gente vem só para completar).

O Prólogo foi ótimo, mesmo depois do incêndio na mata, a trilha de percorria o sopé da famosa Table Mountain, garantiu vistas maravilhosas da bela Cape Town. A conquista de um 4º lugar na Máster, deixou  a dupla bastante empolgada. Nesse dia, Aliperti já não se sentiu 100% e foi com a boa forma e energia positiva do Dudu que alcançamos o ótimo resultado.

O dia mais duro do evento e para o time Epic Brazil, foi a primeira etapa, onde já relatamos as dificuldades que Daniel Aliperti enfrentou, frente a um tremendo prego de energia, que acreditamos ter sido causado pelo resquício de resfriado forte que pegou 2 dias antes de sair do Brasil. Nesse dia, Aliperti relatou que nunca havia se sentido tão mal em uma prova. Do km 45 até o final, foi literalmente carregado pelo Dudu, que estava numa forma física excepcional, graças a sua dedicação, a Deus e ao Hugo Prado Neto!
Mesmo passando tão mal assim, fomos a melhor dupla brasileira do dia e terminamos a etapa entre os 10 da Máster. Nosso ritmo infelizmente, ficou uns 35-45 min mais lento do que tínhamos condição de ter feito, o que nos prejudicou pelo resto da prova.

Na segunda etapa a estratégia foi largarem um pouco mais “mansos” e ser bastante conservadores, especialmente o Danny, que não sabia como seu corpo ia funcionar depois de ter sofrido tanto na primeira etapa. Felizmente, deu tudo certo e se posicionaram bem, finalizando em 5 lugar na categoria.

O dia seguinte parecia ser perfeito para o time, com um circuito mais técnico, onde a experiência de MTB contava mais do que simplesmente um bom par de pernas e pulmões. E não deu outra, desde a largada, a dupla voou baixo, passando muito bem por um morro com chão de pedras soltas onde todos tiveram que empurrar e carregar sua bike por um bom tempo, seguido por um belo downhill até o primeiro posto de água. Seguiram bem até o segundo posto, mais ou menos no km 38, quando ao sair, logo nos primeiros kms, Daniel avisou Dudu que estava sentindo algo estranho em seu pedivela esquerdo. Continuaram a pedalar e o problema piorava a cada metro rodado, até que o pedivela se soltou, deixando Danny com apenas o pedivela direito para pedalar e se equilibrar nas descidas. Tudo teria sido resolvido com uma chave portátil, se o pedivela SWorks não precisasse de uma Allen 6 mm longa, que não existe em uma multi ferramenta portátil e a dupla não havia lembrado de levar consigo. Desespero total. Pediram a dezenas de corredores que passavam e, claro que ninguém carregava tal ferramenta. Depois de pedir, pedalar com uma perna, empurrar, correr a pé e descer singletracks com um pé só apoiado por cerca de 12 km, nosso anjo da guarda mandou um santo corredor com um pente de chaves Allen em sua mochila de hidratação, que nos salvou. Calculamos que perdemos entre 25 e 35 minutos nesse perrengue. Mais uma vez, o relógio foi nosso inimigo, mas a nossa vontade de vencer as adversidades foi maior do que tudo.
Terminamos a etapa em 8º lugar, o que não foi tão ruim assim, considerando os problemas enfrentados. Mais tarde fomos ao Van da equipe Specialized, conversar com Benno, o mecânico máster do time, que não parou de pedir desculpas, pois eles haviam revisado o central da bike e reapertado a coroa pequena no dia anterior. O que ocorreu – o outro mecânico que estava ajudando, Dylan, usou uma chave Allen que apesar de nova, teve problemas na tempera e ficou com os cantos arredondados muito rapidamente. Isso dava uma falsa impressão de aperto ao mecânico, que ao apertar, achava que já estava espanando o parafuso de alumínio, interno. Por isso o problema, jamais visto e experimentado por outros proprietários de Epics com tal pedivela. Essa explicação e uma nova revisão, asseguraram a dupla que o problema não voltaria a assombrá-los, o que realmente não aconteceu mais até o fim do evento.

Quarta etapa – o dia já começou meio estranho, com os batedores de moto, do primeiro pelotão errando o caminho e fazendo todo mundo rodar 3km a mais pelo centro de Greyton. Um oficial da corrida disse que a corrida seria re-largada. Mas a informação não conferiu. Eles simplesmente colocaram o pelotão na rota certa e deixaram rolar e muitos atletas ficaram confusos, se a prova ia ou não ter uma segunda largada. Ao perceberem que isso não aconteceria, o Epic Brazil começou a perseguir as duplas com quem pedalavam todos os dias e os encontraram depois de uns 5-6km mais ou menos.
Foi quando formou-se um grande pelotão, onde se revezavam na ponta o Epic Brazil e Russ de Jaeger da Brasil Soul. Em seu turno, Dudu começou a puxar forte com Danny colado à sua roda, quando de repente ele resolveu pedalar fora do selim e ao mover a bike de um lado para o outro bruscamente sprintando a 45km/h, sua roda tocou a de Daniel que caiu bruscamente, derrubando Russ de Jaeger da Brasil Soul, que vinha logo atrás. Foi um tombo bem horrível, sobre uma estrada de chão batido com pedras encrustadas. Que poderia ter resultado em bem mais problemas do que: Belos arranhões no cotovelo direito, joelho direito e esquerdo, um bar end de carbono destruído, uma manopla solta, uma alavanca de cambio dianteiro torta a ponto de impedir o acionamento do mesmo, gancheira de cambio traseiro empenada e guidão/mesa desalinhados. Mesmo com tudo isso, a dupla voltou a prova, consertando o que dava e tolerando o que não dava para continuar. A sensação era muito ruim, como se houvesse um “feitiço” em cima para que tudo desse errado e isso alimentou o fogo competitivo dos dois para pedalar mais forte e recuperar o tempo perdido. E foi isso o que aconteceu. Passaram a Brasil Soul e nunca mais os viram, até a linha de chegada. Chegaram a passar os americanos da Geo Block, que os passaram no final e terminaram a etapa em 6º lugar. Foi uma espécie de redenção, depois de tantas adversidades, numa etapa longa e com muitos estradões.

A quinta etapa de Greyton para Oak Valley foi o começo de uma nova situação. A equipe acordou animada para virar a pagina dos problemas enfrentados anteriormente e melhorar seu desempenho. A corrida já havia feito vítimas importantes, uma delas na categoria Máster, a PRAGMA Masters, que eram concorrentes fortíssimos e estava desfalcada, pois um de seus integrantes adoeceu. A próxima concorrente era a SAND, com quem encontraram e pedalaram durante a etapa, também  teve o infortúnio de perder um integrante com a clavícula e o braço quebrado, a 15 km da conclusão do estágio. O time Epic estava bem nesse dia, a corrida estava acontecendo sem percalços para eles e ao passarem pela SAND com seu integrante machucado, perceberam que as chances de uma excelente colocação eram enormes. Foi ao encontrarem os americanos da Block / Geoladders que a coisa ficou bem interessante, pois um de seus integrantes estava literalmente se arrastando de cansado e ao ultrapassarem a dupla nos 5km finais, não houve muita reação imediata. Foram os 5km mais legais da prova, pois eram praticamente todos em singletrack, na fazenda da Oak Valley, que é um lugar especial para mountain bikers. Ao encostarem em uma dupla sul africana, perguntaram 2 ou 3 vezes – Masters ou Men? E eles não entendendo, não respondiam. Ao chegarem mais perto, perguntaram novamente e eles disseram que eram da cat. Men e os deixaram passar. Danny disse: “Fomos pisando em ovos até o final, cruzando a linha em 3º lugar, sendo anunciados e festejados pelo locutor Mike Mic, que falava sobre a conquista inédita para o Brasil na cat Máster da Cape Epic. Muito humildes fomos beber alguma coisa e pegar água e tal, como qualquer corredor, quando um oficial da corrida se aproximou e disse – Não, vocês devem ir para o Winners Lounge, ali. Que chique! Nem acreditávamos. Nós no Winners Lounge!!!! Que é um espaço para os 3 primeiros de cada categoria, com rack de bike, água, refrigerantes e isotônicos gelados, esponja e esguicho para se limpar, cadeiras e toalhas. Que honra e que luxo! Nesse momento a Re Falzoni veio nos entrevistar e todos começaram a chorar de alegria. Foi muito bacana”.

Os demais brasileiros na prova foram super solidários e correram para pegar mesas próximas ao pódio, no jantar, onde acontecia a cerimônia de premiação dos atletas todos os dias. Foi uma festa quando subimos ao pódio, tanto pelo locutor que mais uma vez mencionou o fato inédito do Brasil, quanto pela galera que fez a maior festa. O pessoal adorou ver a animação e solidariedade dos brazucas!

No dia seguinte, receberam cumprimentos de todos os lados. O povo curtiu o time Epic que com sua modéstia, veio crescendo ao longo da prova e mostrou um bom desempenho a bikers de vários países, especialmente seus principais rivais na máster – os Belgas da 2 Xtreme Masters e os N.Americanos da Block / Geoladders. Não dá pra mencionar muito os 2 primeiros, que são ícones intocáveis da categoria – A dupla da Cyclelab Toyota e os Absa Masters. Eles só andam entre os 20 da geral……Mesmo estes cumprimentaram o time Epic. Que honra, mais uma vez.

A sexta etapa prometia ser palco de mais uma boa perfromance do time. Era a mais técnica de todas as Cape Epics até hoje. E isso era um prato cheio para o Team Epic Brazil e suas fantásticas SW Epic. E as previsões se concretizaram – o Time Epic Brazil fez mais um pódio em 3º lugar, chegando em 38º na geral da prova. Foi o melhor desempenho da equipe. Tiveram até o prazer de pedalar ao lado dos monstros Doug Brown e Barti Bucher, os Absa Máster,que tinham tido problemas com pneu e corrente e chegaram a ficar em 3º na prova, recuperando-se e chegando em segundo na etapa, sem perder a liderança, que seguraram com ainda 7 min de vantagem. Ambos com 48 anos de idade, são mostra viva que idade não significa prejuízo no desempenho. Eles voaram baixo todos os dias e sagraram-se campeões da prova na categoria, por mais um ano.

Outra festa brasileira no jantar. E a alegria de todos em estar quase completando a Cape Epic.

A sétima etapa tradicionalmente larga mais tarde, as 8:30. Alinhados e firmes para conquistar o que não haviam conquistado em 2008 – terminar a prova em dupla – o time Epic Brazil saiu com o primeiro pelotão, mas foram logo perdendo algumas posições. Com o esforço dos dois últimos dias, Daniel estava exausto e conseguiu apenas completar a etapa, com um tempo mais alto do que normalmente conseguiriam, mas sem problemas durante o estágio. Ao cruzar a linha, a emoção tomou conta da dupla, que chorava e comemorava, suas conquistas e a vitória sobre tantas adversidades.

NOSSOS PARABÉNS PARA:
Marcelo Sampaio e Jayme Alves (Os Mantiqueira/Adriana Nascimento), Eduardo Rocha e Michel Bogli da Esporte Criança/SCOTT, Juliano e Donga (Pedala Brasil), Mario e Russell (Brasil Soul), Adriana e Luli (Flower People), Felipe e Rafa (Recycling), Vinicius, Felipe e Fabiano (Infanti/OCE), Marquinho e Jair (Os Mantiqueira 2), Pablo e Flavio (Tango e Samba), Alfredo e todos os brasileiros que completaram a prova.

Um grande abraço para o Leandro “Tatu”, amigo e voluntário que nos ajudou muito no posto de água 2, Greg pela simpatia, torcida e por levar minha mala, valeu!, Cristiano, Ricardo, Paulo Brandão e amigos na prova.

EQUIPAMENTO

O time destacou o desempenho de seu equipamento durante a prova, principalmente as espetaculares SWorks Epic que foram claramente a ferramenta certa para enfrentar as dificuldades impostas por uma ultra maratona de MTB como a Cape Epic. As suspensões inteligentes, a rigidez do quadro, a leveza, a eficiência da pedalada, a estabilidade e diversão de pilotagem, foram atributos repetidamente elogiados pela dupla ao fim de cada etapa.

Os pneus Specialized Fast Trak LK com carcaça protótipo para 2010 foram perfeitos, oferecendo tração plena, baixa resistência ao rolamento e não furando, cortando ou esvaziando ao longo dos 690km percorridos. Os componentes SRAM X.O. foram incríveis, mesmo no acidente da 4ª etapa, mantiveram o funcionamento. O mesmo pode ser dito do Shimano XTR, que desempenhou bem e resistiu a um galho que entrou no cambio traseiro do Dudu, afetando muito pouco seu desempenho. As rodas Roval Controle SL resistiram a tudo, sem empenar, sempre girando livre e ajudando nas subidas com sua leveza e nas descidas com sua rigidez. Freios tiveram à vontade, usando os fantásticos Avid Ultimate/Elixir, para voar na descida e parar com segurança na hora certa. Os selins Specialized BG garantiram conforto e proteção contra lesões. As sapatilhas Specialized BG, foram muito confortáveis e eficientes. Os capacetes SWorks super leves e ventilados. Os óculos Specialized com lentes Adaptalite, sempre com o tom certo de lente de acordo com a luminosidade e muito conforto. As luvas Specialized BG além de confortáveis protegeram bem e não abriram costuras ou deformaram em nenhum momento.

Outros equipamentos – Bermudas da VO2MAX foram ótimas. Confortáveis e resistentes, elas se mostraram dignas de uma Cape Epic por mais uma vez. Os géis energéticos da GU foram o combustível primário e mantiveram o tanque da dupla cheio por uma semana de provas. Os isotônicos da GU – GU2O – para as primeiras garrafas de cada dia.

AGRADECIMENTOS ESPECIAIS

A FAMILIA E TODOS AMIGOS E APOIADORES QUE ACREDITARAM NO NOSSO TRABALHO.

SPECIALIZED – BIKES, EQUIPAMENTOS E PNEUS – sem duvida, ótimas escolhas para quem quer se dar bem nas provas ou simplesmente curtir suas pedaladas ao Maximo.

SRAM – FREIOS AVID ULTIMATE/ELIXIR, CAMBIO TRASEIRO E PASSADORES X.O., CORRENTE PC991HP, guidão TRUVATIV NOIR TEAM – componentes que agüentam o tranco LITERALMENTE e te ajudam a voar!

REDE ALE DE COMBUSTIVEIS – quando o transporte da bike requer um automóvel, o combustível é ALE!

PEDAL POWER E TRIPP AVENTURA, AS LOJAS QUE APOIAM OS ATLETAS EM SP E BH RESPECTIVAMENTE. Gente que sabe o que faz!

GU ENERGÉTICOS – GEL E ISOTONICO GU2O – sabor, qualidade e energia na dose certa. O que é um motor potente com combustível ruim? Escolha GU!

VO2MAX BERMUDAS E BRETELLES – forneceu as bermudas para o time pelo segundo ano consecutivo – o que é uma boa pedalada sem uma boa bermuda?

ADRIANA NASCIMENTO E HUGO PRADO NETO – que orientaram os atletas quanto ao treinamento durante os últimos 2 anos. Parabéns!

CARLOS ALIPERTI – que desenhou as camisas do time com muito amor e bom gosto.

DA MATTA – que confeccionou as camisas a um custo especial e num ótimo prazo.

BAR ENTRE FOLHAS EM BH – na hora de descontrair, esse é o point.

RENATA FALZONI / ESPN – que foi uma irmã como sempre e uma tremenda jornalista!

EPIC BIKE SHOP em Cape Town – Lance e Aylex

REVOLUTION CYCLES em Cape Town– Sterling e Rob

ERGON Manoplas – Dirk (manager da equipe que me cedeu um par de manoplas gentilmente)

CAROL ROMBAUER – Por último, um agradecimento especial a ela que carregou uma camera pesada ao pedalar para poder registrar todas as imagens que temos até hoje do evento. A Carol foi fundamental na captação das fotos. fazendo um documentário fotográfico perfeito da nossa Cape Epic.

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