Dois pais contam, na prática, como ensinaram os filhos a andar de bicicleta — e como a bicicleta infantil virou parte da rotina e do vínculo com as crianças.
O ciclista Normando Pereira é dentista e pedala desde os anos 1990. Quando sua filha nasceu, ele já sabia que a bicicleta ia fazer parte da vida dela. “Minha filha pedalou pela primeira vez quando nasceu. No nascimento dela, quando eu peguei ela no colo, falei que eu iria levá-la para pedalar — e assim ela começou a mexer as pernas, como se estivesse pedalando. Fiquei super emocionado e comecei a chorar,” conta Normando Pereira.
Hoje, a filha – Melina – tem 5 anos. Ela acompanha o pai desde bebê, primeiro numa cadeirinha infantil presa à bicicleta dele, incluindo passeios por praias e dunas na Ilha de Santa Catarina (Florianópolis). Logo depois ela aprendeu a se equilibrar sozinha numa bicicleta de equilíbrio, sem pedais. Hoje já pedala na própria bicicleta, sem rodinhas.
Incentivar sem cobrar

Para Normando, o mais importante não foi empurrar a bicicleta na rotina da filha, e sim deixar que ela chegasse até ela no próprio ritmo. “Sempre incentivo a andar de bike de uma forma bem natural, para que não possa enjoar — e assim possa pedalar por uma vida,” afirma Normando.
Essa forma de ensinar vem da própria infância dele. Quando criança, Normando morou num sítio onde a rua de acesso era uma ladeira íngreme. Aprendeu a andar de bicicleta sozinho, sem aula e sem ajuda — primeiro de velotrol, depois já na bike, descendo o morro repetidas vezes. “Comecei descendo de velotrol; aos poucos, peguei a bike sozinho, sem ajuda de ninguém, e despencava morro abaixo o dia todo.”
Hoje ele descreve o ciclismo como parte fixa da rotina — e do tempo que reserva para a filha. “Hoje a bike faz parte do meu dia a dia, tenho ela como minha religião, onde sempre que posso passeio com minha filha, tendo experiências incríveis,” completa Normando.
A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que crianças pequenas façam pelo menos 180 minutos de atividade física por dia, e cita o ciclismo como uma das atividades mais indicadas para essa faixa etária.
Bicicleta: De passeio à recursos de paternidade

A segunda história é um relato pessoal. “Pedalo desde muito cedo — primeiro começou como uma brincadeira de triciclo, depois foi para a bicicleta com rodinhas. Lembro que na infância, depois de brincar muito de bike no quintal de casa e na rua, já um pouco maior, muitas vezes o passeio de família no final de semana era ir de casa até o parque pedalando com pai e irmãos,” lembra Andre Piva, jornalista e ciclista
Nos anos 1990, quando pedalar por trilhas ficou popular, “comecei a levar o ciclismo mais a sério e competi por alguns anos. Depois, a bicicleta passou a se cruzar também com a minha carreira dele, no jornalismo esportivo. Quando meu primeiro filho nasceu, o carrinho de bebê era um triciclo com rodas aro 16, adaptado para qualquer terreno. Eu revezava caminhadas com pedaladas, ora levando o filho numa cadeirinha na frente da bike, ora fazendo trilha com o bebê. Com a chegada da segunda filha, o mesmo carrinho passou a levar os dois. Logo precisamos de mais rodas e meu filho ganhou uma balance bike com cerca de 1 ano. Não demorou para minha filha também ganhar a bike dela.” conta Andre Piva
No início a brincadeira com as bikes era andar dentro e em volta de casa. Mas aos poucos, os passeios foram ficando mais longos, com paradas para piqueniques e inserindo brincadeiras sobre rodas, como pega-pega e polícia e ladrão a bordo das bikes. As crianças passaram a pedalar sem rodinhas, trocando de bicicleta conforme cresciam — com rodas com tamanho de aro 12, 16 ao aro 20, atualmente.
Infância e a bicicleta

Hoje, as crianças tem 9 e 7 anos e a bicicleta segue presente na vida delas. Seja para ir até o campo de futebol, chamar os vizinhos pra brincar e passesios nos fins de semana — só que agora é mais sobre o destino do passeio do que sobre aprender a pedalar.
“Nossos passeios aos finais de semana sempre envolvem alguma aventura ou pedalada funcional, como por exemplo, um pedal até a feira livre para comprar mantimentos e recuperar as energias com pastel e caldo de cana.”conta Andre conciliando mobilidade, lazer e tempo de qualidade com as crianças.
Um hábito que começou cedo e não muda é o uso do capacete. É o único ponto em que Andre não abre exceção.“O capacete já me salvou e não abro mão é usar o capacete — com esse exemplo, desde pequenos, eles aprenderam. Logo se interessaram em se ´equipar´ para pedalar, com luvas e roupas de ´bike´. E assim, seguimos pedalando sem compromisso, apenas curtindo o tempo de qualidade com as crianças.” completa.
O que as duas histórias têm em comum
O ponto em comum nas duas histórias de Normando e Andre é que mesmo ambos tendo infâncias diferentes com a bicicleta — um aprendeu sozinho, numa ladeira; o outro, no quintal e em passeios de família. Hoje os dois repetem, cada um do seu jeito, o mesmo gesto com os filhos: dar o exemplo, liberdade, sem pressa, e estar por perto.
BICICLETA UM RECURSO ANTIGO DA HUMANIDADE

A bicicleta é uma invenção de 1817, inicialmente, veículo de duas rodas de madeira, sem pedais, criado como alternativa ao transporte com cavalos — que ficaram escassos após um período de más colheitas na Europa. Os pedais só foram surgir décadas depois, na França, em meados de 1860. Mais de 200 anos separam aquele primeiro modelo da bicicleta de equilíbrio disponível para as crianças atualmente, mas o princípio é o mesmo: equilíbrio mantido pelo movimento.
Texto: por Andre Piva / Fotos: Nathor Bikes e Arquivo pessoal das famílias Pereira e Piva.
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Sobre a Nathor Bicicletas
Fundada em 1985 em Blumenau (SC), a Nathor é a maior indústria de bicicletas infantis da América Latina, com capacidade de produzir até 7 mil bicicletas por dia e mais de 1,3 milhão de unidades fabricadas por ano. A marca produz triciclos, bicicletas e acessórios infantis com foco em segurança, conforto e qualidade, e mantém parcerias com marcas licenciadas como Disney, Marvel, Mattel e Caloi. Saiba mais em nathor.com.
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